Canso-me, por vezes, deste vento,
Que a noite cobre e cobre o céu
Que corre toda a terra como véu
De Vênus em seu amargamento.
Nestas longas noites de verão,
Enquanto o vento soa ardente
O último expectador ausente
Espreita-se entre sonho e ilusão.
O vento que se fez mensageiro
Agora se alarga entre os arvoredos,
E tamanho é seu esgueiro
Que não bastam os sutis enredos
Da boêmia do nobre aventureiro
Para fazer dos sopros segredos.
dezembro 23, 2008
dezembro 22, 2008
Se...
Se de pecado for feito o pensamento,
Que percorre, nos braços da imensidão,
Todo o percurso que adorna o coração
Todo ultraje que se faz contentamento.
Se de pecado for reproduzida a paixão,
Que dos olhos marejados encantamento
Ecoam, no seio do se diz ser perdimento,
No sorriso infantil da mais pura comoção.
Se de pecado for forjado o ledo desejo!
O mundo é um pobre antro de transgressão.
Pois não há um ser que não se faz aleijo!
Todos os seres são pecadores, sem exceção...
Só pecará mais que não tiver por almejo
Encontrar {nessa curtíssima vida} uma paixão.
Que percorre, nos braços da imensidão,
Todo o percurso que adorna o coração
Todo ultraje que se faz contentamento.
Se de pecado for reproduzida a paixão,
Que dos olhos marejados encantamento
Ecoam, no seio do se diz ser perdimento,
No sorriso infantil da mais pura comoção.
Se de pecado for forjado o ledo desejo!
O mundo é um pobre antro de transgressão.
Pois não há um ser que não se faz aleijo!
Todos os seres são pecadores, sem exceção...
Só pecará mais que não tiver por almejo
Encontrar {nessa curtíssima vida} uma paixão.
dezembro 21, 2008
Parte - Verso Segundo
Parto-me numa fração de parte!
Como sopro de vento incontrolável
Voou para o infinito, é inevitável!
Reparto-me de tudo, tudo reparte.
Gélido como o constrangimento;
Furioso como um ativo vulcão;
Tudo que se constrói é construção.
O que não se constrói é tormento.
E tão vago quanto o pensamento
Que pulula das heróicas dores do mundo,
Em tempo de cândido perdimento
É o desejo mais que mais profundo(...)
Tanta divagação e tanto contentamento,
Numa única parte, num labirinto fundo.
Como sopro de vento incontrolável
Voou para o infinito, é inevitável!
Reparto-me de tudo, tudo reparte.
Gélido como o constrangimento;
Furioso como um ativo vulcão;
Tudo que se constrói é construção.
O que não se constrói é tormento.
E tão vago quanto o pensamento
Que pulula das heróicas dores do mundo,
Em tempo de cândido perdimento
É o desejo mais que mais profundo(...)
Tanta divagação e tanto contentamento,
Numa única parte, num labirinto fundo.
dezembro 20, 2008
Parte - Verso Primeiro
Parte-se numa fração de parte!
Absorto num abismo incontrolável
Voa para o infinito, é inevitável!
Reparte-se de tudo, tudo reparte.
Como o dia carece a noite escura
Para seu súbito preenchimento!
E os pássaros carecem o vento,
E risos vagos do dia, brandura.
A parte carece todo conjunto
Para que se dê como acabada.
É parte o esquife do defundo,
Que procura sua nova estada!
E tudo o mais nesse assunto...
É conjunto, parte ou é nada.
Absorto num abismo incontrolável
Voa para o infinito, é inevitável!
Reparte-se de tudo, tudo reparte.
Como o dia carece a noite escura
Para seu súbito preenchimento!
E os pássaros carecem o vento,
E risos vagos do dia, brandura.
A parte carece todo conjunto
Para que se dê como acabada.
É parte o esquife do defundo,
Que procura sua nova estada!
E tudo o mais nesse assunto...
É conjunto, parte ou é nada.
novembro 23, 2008
Tua imagem.
Envolvo-te, nesta quadra de apogeu!
Quando vendido estou por teu gesto,
Se mais dizem teus sorrisos, me atesto
Que me compro por um sorriso teu.
Se quando for vendido ao teu sorriso
Percorrer, com sucesso, lindos prados,
Relvas verdes, mares e lindos quadros
Tua figura será minha e teu o meu riso.
Se encontrar em tua efígie tua liberdade,
Encontrarei, também, o desejo alarmado,
Que em teus lábios róseos há guardado,
Encontrarei vista, encontrarei serenidade!
Quando vendido por tua graciosidade,
Hei ser teu sorriso, teus lábios, teu fado.
Quando vendido estou por teu gesto,
Se mais dizem teus sorrisos, me atesto
Que me compro por um sorriso teu.
Se quando for vendido ao teu sorriso
Percorrer, com sucesso, lindos prados,
Relvas verdes, mares e lindos quadros
Tua figura será minha e teu o meu riso.
Se encontrar em tua efígie tua liberdade,
Encontrarei, também, o desejo alarmado,
Que em teus lábios róseos há guardado,
Encontrarei vista, encontrarei serenidade!
Quando vendido por tua graciosidade,
Hei ser teu sorriso, teus lábios, teu fado.
novembro 19, 2008
O mundo e o esquecimento.
Ando sobre o mundo, só e ausente.
Assisto pássaros, na aurora, cantarolar.
Rosas, de puras cores, desabrochar.
Percorro o sol matinal e o sol poente.
A curtos passos calculo o mundo...
Piso a turva água do manancial.
Durmo, sem medo, num dia glacial.
Deito sobre o prado verde e fecundo.
Este mundo onde há tanto a se ver...
Há tanto a assistir, há tanto a achar.
Mundo que se é fácil tudo encontrar.
Mundo onde nada se pode esconder.
Neste mundo onde nada se pode ocultar.
E eu, que tanto vi, não pude entender:
Como, entre noites, consegui me perder.
Como, entre dias, não sei me encontrar.
Assisto pássaros, na aurora, cantarolar.
Rosas, de puras cores, desabrochar.
Percorro o sol matinal e o sol poente.
A curtos passos calculo o mundo...
Piso a turva água do manancial.
Durmo, sem medo, num dia glacial.
Deito sobre o prado verde e fecundo.
Este mundo onde há tanto a se ver...
Há tanto a assistir, há tanto a achar.
Mundo que se é fácil tudo encontrar.
Mundo onde nada se pode esconder.
Neste mundo onde nada se pode ocultar.
E eu, que tanto vi, não pude entender:
Como, entre noites, consegui me perder.
Como, entre dias, não sei me encontrar.
novembro 12, 2008
Busca
Eis o problema dos problemas!
É doce morena, linda donzela...
Castanhos olhos, boca bela.
É o maior triunfo dos dilemas.
Será morena, loura, ruiva, Ela?
A dama, que cujo olhar traçante,
Derruba-me do céu como errante
Afogado nas pedras da cidadela.
Eis o maior dilema deste amante:
Ser-se perdido na dorida vida,
No mundo da procura aguerrida...
Na inconstância do inconstante.
E desencontrar-se da desencontrada!
Minha amada e bela que segue a ermo
Pela saudade deste perdido enfermo
Que busca gêmea alma jamais achada.
É doce morena, linda donzela...
Castanhos olhos, boca bela.
É o maior triunfo dos dilemas.
Será morena, loura, ruiva, Ela?
A dama, que cujo olhar traçante,
Derruba-me do céu como errante
Afogado nas pedras da cidadela.
Eis o maior dilema deste amante:
Ser-se perdido na dorida vida,
No mundo da procura aguerrida...
Na inconstância do inconstante.
E desencontrar-se da desencontrada!
Minha amada e bela que segue a ermo
Pela saudade deste perdido enfermo
Que busca gêmea alma jamais achada.
novembro 09, 2008
Insanidade.
Minhas palavras se esvaem quando escrevo,
Se perdem na aurora do pensamento mesto!
E quanto mais me perco, mais me atesto,
Que quanto menos possuo-lha, mais devo.
Se me atrevo - oh! irônia - em pensar
O quão doce é teu lábio, e minha saudade.
Me engano, pois é doce a tua lenidade
Que beija-me, sem ao menos mo beijar.
Tamanha - oh! tragédia - é a ingenuidade
Que quanto mais me atrevo, menos sinto!
E quanto mais quero menos tenho! Adversidade...
Vivo - sem ao menos viver - num labirinto!
Beijo-te, toco-te, pinto-te! Pura insanidade!
Pois só em sonho lhe beijo, ouço e pinto.
Se perdem na aurora do pensamento mesto!
E quanto mais me perco, mais me atesto,
Que quanto menos possuo-lha, mais devo.
Se me atrevo - oh! irônia - em pensar
O quão doce é teu lábio, e minha saudade.
Me engano, pois é doce a tua lenidade
Que beija-me, sem ao menos mo beijar.
Tamanha - oh! tragédia - é a ingenuidade
Que quanto mais me atrevo, menos sinto!
E quanto mais quero menos tenho! Adversidade...
Vivo - sem ao menos viver - num labirinto!
Beijo-te, toco-te, pinto-te! Pura insanidade!
Pois só em sonho lhe beijo, ouço e pinto.
novembro 05, 2008
Beijo Roubado
Exalto-me! Perpétuo aviltamento?
És chama fria, és perturbação...
Que efígie é a tua, que salvação?
Para que te tornaste sentimento?
Tamanha - pensava - fora a ousadia
De louvar-se pelo pecado alheio...
Tomado pelo pudor pueril, receio,
Sorvi-me-lhe do desdém a galhardia.
Roubaste, Senhora, com arrogância...
O que meu lábio nunca lha daria.
Roubou-me um beijo de inquietância.
Roubaste para si, com que cobardia,
Um único beijo, pura insignificância!
Pois, tudo o mais tu não mo roubaria.
És chama fria, és perturbação...
Que efígie é a tua, que salvação?
Para que te tornaste sentimento?
Tamanha - pensava - fora a ousadia
De louvar-se pelo pecado alheio...
Tomado pelo pudor pueril, receio,
Sorvi-me-lhe do desdém a galhardia.
Roubaste, Senhora, com arrogância...
O que meu lábio nunca lha daria.
Roubou-me um beijo de inquietância.
Roubaste para si, com que cobardia,
Um único beijo, pura insignificância!
Pois, tudo o mais tu não mo roubaria.
outubro 31, 2008
Pequei II
Oh! Deus pequei, pequei por pecar!
Pequei. Sou pecador, sou escravo!
Escravo da minha sorte e do agravo
Que minh'alma está a devassar.
Instalou-se, como aves no horizonte,
Um desejo súbito, uma veleidade vã!
E nem esta que é a mente mais sã
Conseguiu atravessá-lo em sua fonte.
Oh! Deus pequei! Meu pecado é a dor;
Fui - dos homens - o mais inconseqüente.
Deixei-me varrer ao altar do pecador...
Lá as asas corromperam minha mente!
Sou pecador oh! Deus, pois tive amor!
Amor humano, amor pueril, amor latente.
Pequei. Sou pecador, sou escravo!
Escravo da minha sorte e do agravo
Que minh'alma está a devassar.
Instalou-se, como aves no horizonte,
Um desejo súbito, uma veleidade vã!
E nem esta que é a mente mais sã
Conseguiu atravessá-lo em sua fonte.
Oh! Deus pequei! Meu pecado é a dor;
Fui - dos homens - o mais inconseqüente.
Deixei-me varrer ao altar do pecador...
Lá as asas corromperam minha mente!
Sou pecador oh! Deus, pois tive amor!
Amor humano, amor pueril, amor latente.
Pequei
Oh! Deus pequei! Como hei-de pecar
Buscando e desejando o querer...
Agora Senhor vos hei prometer
livrar-me da dor e da alma o pesar.
Oh! Deus sou fraco: fala-me Senhor?
Fala-me que maré é esta a minha...
Quão minha é vida, vida sozinha!
Pequei Senhor: tenho culpa e amor.
Oh! Deus fala-me por um instante,
Fala-me que serei alvo de castigo!
Fala-me que fui o mais vil errante.
Se Vós ireis castigar-me: Vos Digo:
Castiga-me! E faça-o como a amante
Carregando, contudo, toda dor consigo.
Buscando e desejando o querer...
Agora Senhor vos hei prometer
livrar-me da dor e da alma o pesar.
Oh! Deus sou fraco: fala-me Senhor?
Fala-me que maré é esta a minha...
Quão minha é vida, vida sozinha!
Pequei Senhor: tenho culpa e amor.
Oh! Deus fala-me por um instante,
Fala-me que serei alvo de castigo!
Fala-me que fui o mais vil errante.
Se Vós ireis castigar-me: Vos Digo:
Castiga-me! E faça-o como a amante
Carregando, contudo, toda dor consigo.
Sei de tudo
Sei de tudo o que existe pelo mundo.
A forma, o modo, o espírito e os destinos.
Sei da vida das almas e aprofundo
O mistério dos seres pequeninos.
Sei da ciência do Espaço, sei o fundo
Da terra e os grandes mundos submarinos,
Sei o Sol, sei o Som e o elo profundo
Que há entre os passos humanos e os divinos.
Sei de todas as coisas, a teoria
Do Universo e as longínquas perspectivas
Que emergem da expressão das coisas vivas.
Sei de tudo e - oh! tristíssima irônia! -
Pelo caminho eterno por que vou,
Eu, que sei tudo, só não sei quem sou…
Raul de Leoni
A forma, o modo, o espírito e os destinos.
Sei da vida das almas e aprofundo
O mistério dos seres pequeninos.
Sei da ciência do Espaço, sei o fundo
Da terra e os grandes mundos submarinos,
Sei o Sol, sei o Som e o elo profundo
Que há entre os passos humanos e os divinos.
Sei de todas as coisas, a teoria
Do Universo e as longínquas perspectivas
Que emergem da expressão das coisas vivas.
Sei de tudo e - oh! tristíssima irônia! -
Pelo caminho eterno por que vou,
Eu, que sei tudo, só não sei quem sou…
Raul de Leoni
outubro 28, 2008
Vida
"E ser-se novo é ter-se o Paraíso
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida,
Aonde tudo é luz e graça e riso!" (Florbela Espanca)
(---)
Que saudade! Que vida sofrida.
Ser-se novo é ter-se o mundo
É ter-se o encanto de uma vida.
E tão logo, logo me confundo
Se vivo muito, muito vivo contente!
Se morro, não choro, sou infecundo.
- A vida é bela, diz o confitente
E sorri alegremente por descobrir
Que é também um expoente.
E a vida é um grandioso sorrir!
Uma valsa de três notas em harmônia...
Uma diz nasça, outra viva pra sentir...
A última nota é ponto. A extrema algia!
Mas só vivendo é que se aprende
A dar importância à vida, à alegria.
E chora a carola, tão mais fremente
Do que chora a criança recém-nascida
Aquela por conhecer, um incidente...
Um incidente que chamamos partida...
E esta chora, junto à mãe, por conhecer
O incidente a que chamamos vida.
É ter-se a estrada larga, ao sol, florida,
Aonde tudo é luz e graça e riso!" (Florbela Espanca)
(---)
Que saudade! Que vida sofrida.
Ser-se novo é ter-se o mundo
É ter-se o encanto de uma vida.
E tão logo, logo me confundo
Se vivo muito, muito vivo contente!
Se morro, não choro, sou infecundo.
- A vida é bela, diz o confitente
E sorri alegremente por descobrir
Que é também um expoente.
E a vida é um grandioso sorrir!
Uma valsa de três notas em harmônia...
Uma diz nasça, outra viva pra sentir...
A última nota é ponto. A extrema algia!
Mas só vivendo é que se aprende
A dar importância à vida, à alegria.
E chora a carola, tão mais fremente
Do que chora a criança recém-nascida
Aquela por conhecer, um incidente...
Um incidente que chamamos partida...
E esta chora, junto à mãe, por conhecer
O incidente a que chamamos vida.
Eis que o mundo...
Eis que o mundo nasce: agora!
Suas lágrimas transformam-se
Como uma lágrima que chora.
E transbordam e encontram-se
Na ilha do padecer! Que hora?
Encontram-se e colidem-se
Com a mais pura e bela aurora.
Aquelas - que por perderem-se
Vivem hoje, como viveram outrora
No nascimento da liberdade
No mundo da mais singela saudade.
Eis que o mundo nasce: Agora?
Agora! Como nasceu a beleza
No puro seio da ser, embora
Tenha sido o império da sutileza
Quem tenha herdado o que há fora
Deste sublime lume de proeza
Desta rir do tristonho caapora
Que vive a mercê da grandeza
Que neste mundo medonho e belo
Trouxe seu manto, manto amarelo.
Eis que o mundo nasce: Retumbante
Urge como passáro no vento ardente
Que voa e voa como ao andante
Que nada sem medo e latente
Neste seu terreno de ser arfante
Sobre a brisa matutina cadente.
Eis o homem, o mais nobre errante,
Houvera tornado-se humano e gente
Vivendo o mundo sempre sonhando
Vivendo eternamente cavalgando;
Eis que o mundo nasce: altivo!
E nascem as flores no asfalto
Pensamentos sem nenhum crivo.
Nasce o sol no cume, no alto
No sonho do desejoso primitivo
Que voa elevando-se absolto
À maresia de humano cativo
Quando de vida é envolto...
Eis que o mundo nasce: Brilhante!
Nascido da alma do nobre vagante;
Suas lágrimas transformam-se
Como uma lágrima que chora.
E transbordam e encontram-se
Na ilha do padecer! Que hora?
Encontram-se e colidem-se
Com a mais pura e bela aurora.
Aquelas - que por perderem-se
Vivem hoje, como viveram outrora
No nascimento da liberdade
No mundo da mais singela saudade.
Eis que o mundo nasce: Agora?
Agora! Como nasceu a beleza
No puro seio da ser, embora
Tenha sido o império da sutileza
Quem tenha herdado o que há fora
Deste sublime lume de proeza
Desta rir do tristonho caapora
Que vive a mercê da grandeza
Que neste mundo medonho e belo
Trouxe seu manto, manto amarelo.
Eis que o mundo nasce: Retumbante
Urge como passáro no vento ardente
Que voa e voa como ao andante
Que nada sem medo e latente
Neste seu terreno de ser arfante
Sobre a brisa matutina cadente.
Eis o homem, o mais nobre errante,
Houvera tornado-se humano e gente
Vivendo o mundo sempre sonhando
Vivendo eternamente cavalgando;
Eis que o mundo nasce: altivo!
E nascem as flores no asfalto
Pensamentos sem nenhum crivo.
Nasce o sol no cume, no alto
No sonho do desejoso primitivo
Que voa elevando-se absolto
À maresia de humano cativo
Quando de vida é envolto...
Eis que o mundo nasce: Brilhante!
Nascido da alma do nobre vagante;
O errante
Noite que me cobre a sandice.
Diga o que disser, não te escuto
Sou um mago forte, às vezes puto.
Fique você no seu luto, seu disse.
Sou eu menos quieto com palavras
Fala e ouço, sou bravo, sou moço
E vivo na calada, no alvoroço
Procurando a vida nestas quadras;
Quero emudecer, como um surdo
Que não fala por não ouvir
mas que vontade, pude presumir,
tem, e quer falar como dessurdo.
Sou antiquado, sou errante
Sou meu passado corrompido
Sou psicologo, sou cupido
E posso ser também falante.
Sou o que há de nostalgia
Sou tristeza, sou felicidade
Sou altruista e maldade
Para as donzelas da saudade.
E quando na noite me perco
Entre as dunas da magia
Entres conversa e alegria
É ali que está meu cerco.
Quero estar onde ninguém
ou Todo mundo, já esteve
Num esquecido parasceve¹
Onde liam camões com desdém.
E lá que me preparo, óh donzela!
Oh! donzela de escuridão e beleza
É lá que leva meu sonho e tristeza
Na noite solar, na tinta de urzela².
No fim, não sou nada e nada temo
Sou um menino-homem, sou acridão!
E quando falo, sou muito falastrão
E meus pensamentos vão ao gonzemo³.
**1 (sexta-feira santa para os judeus)
**2 (tipo de liquem usado para fazer tinta)
**3 (altar do templo no candomblé angola-congo)
Diga o que disser, não te escuto
Sou um mago forte, às vezes puto.
Fique você no seu luto, seu disse.
Sou eu menos quieto com palavras
Fala e ouço, sou bravo, sou moço
E vivo na calada, no alvoroço
Procurando a vida nestas quadras;
Quero emudecer, como um surdo
Que não fala por não ouvir
mas que vontade, pude presumir,
tem, e quer falar como dessurdo.
Sou antiquado, sou errante
Sou meu passado corrompido
Sou psicologo, sou cupido
E posso ser também falante.
Sou o que há de nostalgia
Sou tristeza, sou felicidade
Sou altruista e maldade
Para as donzelas da saudade.
E quando na noite me perco
Entre as dunas da magia
Entres conversa e alegria
É ali que está meu cerco.
Quero estar onde ninguém
ou Todo mundo, já esteve
Num esquecido parasceve¹
Onde liam camões com desdém.
E lá que me preparo, óh donzela!
Oh! donzela de escuridão e beleza
É lá que leva meu sonho e tristeza
Na noite solar, na tinta de urzela².
No fim, não sou nada e nada temo
Sou um menino-homem, sou acridão!
E quando falo, sou muito falastrão
E meus pensamentos vão ao gonzemo³.
**1 (sexta-feira santa para os judeus)
**2 (tipo de liquem usado para fazer tinta)
**3 (altar do templo no candomblé angola-congo)
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